Viajar de trem deixou de ser apenas uma maneira prática de chegar ao próximo destino. Na Itália, o turismo ferroviário ganhou uma novidade que combina gastronomia, paisagens, história e hospedagem de alto padrão: o Orient Express La Dolce Vita, uma experiência de luxo inspirada no glamour italiano das décadas de 1950 e 1960.
O projeto faz parte da expansão da marca Orient Express e foi criado para transformar o próprio trajeto em uma atração turística. Em vez de embarcar apenas para chegar a uma cidade, o passageiro passa a viajar durante horas ou dias dentro de um trem decorado, com restaurantes sofisticados, cabines confortáveis, atendimento personalizado e paisagens que mudam ao longo do caminho.
A proposta acompanha uma tendência cada vez mais forte no turismo internacional: a busca por viagens mais lentas, exclusivas e marcadas por experiências. O viajante contemporâneo já não procura apenas visitar o maior número possível de lugares. Ele também quer aproveitar o caminho, reduzir a pressa e transformar o deslocamento em parte importante das férias.
O Orient Express La Dolce Vita foi planejado para traduzir o estilo de vida italiano conhecido como “dolce vita”. A expressão remete à combinação entre prazer, cultura, boa gastronomia, moda, arte e momentos de contemplação. Dentro do trem, essa atmosfera aparece na decoração, nos tecidos, nos móveis, na iluminação e no serviço oferecido aos passageiros.
Os vagões foram projetados com inspiração em diferentes períodos da história italiana, misturando referências clássicas e elementos contemporâneos. O objetivo é criar uma experiência elegante, mas sem transformar o ambiente em um espaço excessivamente formal. A ideia é que o passageiro possa desfrutar de uma viagem confortável, com tempo para conversar, observar a paisagem, fazer refeições especiais e descansar.

As cabines seguem uma proposta intimista, enquanto as áreas comuns funcionam como espaços de convivência. O restaurante é um dos pontos centrais da experiência, com menus inspirados na culinária italiana e ingredientes selecionados de diferentes regiões do país. A gastronomia aparece como parte essencial do roteiro, já que cada viagem procura valorizar sabores, produtos e tradições locais.
Os itinerários do trem foram criados para percorrer diferentes regiões da Itália, conectando grandes cidades, áreas litorâneas, vilarejos históricos e paisagens rurais. Entre os destinos associados às experiências estão Roma, Veneza, Portofino, Toscana, Sicília e os Alpes italianos.
A viagem pode incluir cenários muito diferentes em um único roteiro. O passageiro pode sair de Roma, passar por áreas de colinas e vinhedos, acompanhar o litoral do Mediterrâneo e chegar a uma cidade histórica cercada por montanhas. Essa variedade é um dos principais atrativos do turismo de trem na Itália.
A Toscana, por exemplo, oferece campos, vinícolas, cidades medievais e uma gastronomia reconhecida mundialmente. Já a região de Portofino combina mar, pequenas vilas coloridas e o charme da Riviera Italiana. Veneza acrescenta uma dimensão artística e histórica ao percurso, enquanto a Sicília apresenta uma identidade própria, marcada por influências mediterrâneas, arquitetura antiga e sabores locais.
Os trajetos não seguem necessariamente a lógica de uma linha convencional. Muitos itinerários são pensados como experiências completas, com paradas planejadas, passeios em terra e hospedagens selecionadas. Assim, o trem funciona como uma espécie de hotel itinerante, levando o viajante por diferentes paisagens sem a necessidade de trocar de mala a todo momento.
Por que o turismo ferroviário está em alta
O crescimento das viagens de trem está relacionado a vários fatores. Um deles é o desejo de escapar do ritmo acelerado dos aeroportos e dos deslocamentos convencionais. Em uma viagem ferroviária de luxo, não existe a mesma sensação de urgência encontrada em voos, conexões e longos trajetos de carro.
O trem também permite observar a transformação da paisagem. Ao contrário das viagens aéreas, nas quais o viajante vê pouco do caminho, os trilhos revelam cidades pequenas, campos, rios, montanhas e áreas rurais. Essa observação cria uma relação mais próxima com o território e faz com que o deslocamento seja mais interessante.
Outro fator importante é o crescimento do turismo sustentável. Embora uma viagem de trem de luxo não tenha impacto zero, o transporte ferroviário costuma ser apontado como uma alternativa mais eficiente em emissões quando comparado a determinados deslocamentos aéreos. Essa preocupação tem influenciado viajantes que desejam conhecer novos lugares com mais conforto, mas também com atenção à mobilidade e ao meio ambiente.
O turismo ferroviário ainda atende ao público que procura exclusividade. Os trens de luxo oferecem poucas cabines, serviço personalizado e roteiros que não podem ser reproduzidos em uma viagem comum. Por isso, a experiência se aproxima de outros segmentos em expansão, como turismo de bem-estar, turismo gastronômico, turismo cultural e viagens de celebração.

A novidade também muda a maneira de planejar uma viagem pelo país. Em um roteiro tradicional, o turista costuma escolher cidades e definir os deslocamentos entre elas. No Orient Express La Dolce Vita, o trem é o ponto principal da jornada. O viajante escolhe uma experiência temática e passa a conhecer a Itália a partir do olhar oferecido por aquela rota.
Os temas podem estar relacionados à gastronomia, ao vinho, à arte, à natureza ou à história. Isso permite que diferentes perfis encontrem uma proposta adequada. Um casal pode escolher uma viagem romântica pela costa, enquanto um grupo de amigos pode optar por um roteiro gastronômico. Para quem gosta de história, as cidades antigas e os palácios italianos podem ser o destaque. Já os amantes da natureza podem se interessar pelas montanhas, pelos lagos e pelas paisagens rurais.
A experiência também pode ser combinada com uma estadia convencional em Roma, Milão, Florença ou Veneza. Dessa forma, o passageiro aproveita alguns dias explorando uma cidade por conta própria e reserva outro período para a viagem de trem. Essa combinação amplia as possibilidades de um roteiro de férias na Itália.
O Orient Express La Dolce Vita pertence ao segmento de turismo de luxo, e os valores refletem a exclusividade do serviço, a duração do percurso, o tipo de cabine, as refeições e as experiências incluídas. Os preços variam conforme a rota e a temporada, por isso é necessário consultar as condições atualizadas no momento da reserva.
Além da passagem, o planejamento pode envolver gastos com transporte até a estação de embarque, hospedagens antes e depois da viagem, passeios extras, seguro viagem e compras pessoais. Como os itinerários possuem número limitado de cabines, reservar com antecedência é uma medida importante, principalmente em períodos de alta temporada na Europa.
Para quem não pretende embarcar imediatamente, o projeto também pode servir como inspiração para conhecer outras opções de turismo ferroviário na Itália e no continente europeu. Existem trens panorâmicos, rotas históricas e viagens noturnas que oferecem experiências mais acessíveis, com diferentes níveis de conforto e duração.
O sucesso de projetos como o Orient Express La Dolce Vita mostra que o turismo está passando por uma transformação. A viagem deixou de ser apenas uma forma de chegar a um lugar e passou a ser valorizada como experiência em si. O tempo do deslocamento, antes visto como algo a ser reduzido, agora pode ser aproveitado para descansar observar, comer bem e apreciar a paisagem.
Entre trilhos, montanhas, vinhedos, cidades históricas e o litoral italiano, o novo trem de luxo apresenta uma maneira diferente de conhecer o país. Em vez de correr entre aeroportos e hotéis, o passageiro embarca em uma jornada mais lenta, confortável e cuidadosamente planejada.
O Orient Express La Dolce Vita representa, portanto, uma das novidades mais interessantes do turismo de experiência. Ele reúne viagem de luxo, turismo ferroviário, gastronomia italiana, paisagens da Itália, cultura, história e sustentabilidade em um mesmo roteiro. Mais do que visitar a Itália, a proposta é sentir o país passar diante da janela, com calma, elegância e tempo suficiente para aproveitar cada quilômetro.





