Turismo brasileiro em alta, recorde de turistas estrangeiros, crescimento histórico do faturamento do setor, aumento de empregos formais no turismo e maior gasto de visitantes internacionais no Brasil. Esse é o cenário que os dados mais recentes mostram para 2025 e o início de 2026, indicando que o turismo vive hoje o melhor momento da sua história no país
Os números, divulgados por fontes oficiais como Ministério do Turismo, Banco Central, ONU Turismo, FecomercioSP e ANAC, ajudam a entender por que tanta gente do setor fala em “fase espetacular”, “recordes históricos” e “novo patamar” para o turismo no Brasil.
Vamos juntar esses dados e traduzir em linguagem prática o que está acontecendo, por que isso importa para o viajante e para quem trabalha com turismo e quais tendências começam a se desenhar para os próximos anos.
Recorde de turistas internacionais entrando no Brasil
Um dos dados mais fortes vem das chegadas de turistas estrangeiros. Só em março de 2026, o Brasil recebeu cerca de 1,05 milhão de turistas internacionais, o maior número da série histórica para esse mês. Isso representa um aumento de 13% em relação a março de 2025
Olhar apenas um mês pode parecer pouco, mas o primeiro trimestre de 2026 reforça a tendência: foram 3,742 milhões de chegadas internacionais, ligeiramente acima do mesmo período de 2025, que já tinha sido um resultado recorde . Na prática, significa que o país está consolidando um patamar elevado de visitantes estrangeiros, não apenas um pico isolado.
Entre os países que mais enviaram turistas ao Brasil no começo de 2026, a liderança segue com nossos vizinhos:
- Argentina, com cerca de 1,64 milhão de chegadas no trimestre;
- Chile, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai e Portugal também aparecem entre os principais emissores de turistas para o Brasil Brasil bate recorde histórico de turistas internacionais em março e;
Do lado brasileiro, os estados que mais receberam turistas internacionais nesse período foram:
- Rio de Janeiro
- São Paulo
- Rio Grande do Sul
- Santa Catarina
- Paraná
Esses dados ajudam a reforçar uma percepção importante: o Brasil está voltando ao radar do turismo internacional com força, com fluxo crescente não só para destinos clássicos como Rio e São Paulo, mas também para estados do Sul e outras regiões.
Mundo também em alta e o Brasil se destacando
Essa maré positiva não é só brasileira. Segundo a ONU Turismo, o turismo internacional como um todo cresceu cerca de 4% em 2025, atingindo 1,52 bilhão de viagens internacionais, um novo recorde mundial. A receita global do turismo chegou a aproximadamente US$ 1,9 trilhão, alta de 5% em relação ao ano anterior .
O que chama atenção é que, dentro desse cenário mundial positivo, o Brasil aparece como destaque: o país teve um aumento de 37% nas chegadas internacionais, ajudando inclusive a puxar o crescimento da América do Sul, que subiu cerca de 7% em visitantes estrangeiros.
Em outras palavras, o Brasil não está apenas “surfando a onda global” do turismo. Está se destacando como um dos países que mais crescem em número de turistas internacionais.
Turistas estrangeiros estão gastando mais no Brasil
Não adianta apenas trazer mais gente, é importante ver quanto esses turistas deixam na economia local. E, nessa parte, os dados também são animadores.
Segundo o Banco Central, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil atingiram R$ 20,2 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025. Em abril de 2026, sozinho, foram R$ 4,19 bilhões, ligeiro crescimento frente a abril do ano anterior.
Isso significa mais dinheiro circulando em:
- Hotéis, pousadas e meios de hospedagem
- Bares, restaurantes e cafés
- Passeios, guias, transportes turísticos
- Comércio local, artesanato e serviços em geral
O próprio ministro do Turismo resumiu o impacto dizendo que turismo não é só gente em aeroporto; é geração de renda e transformação da realidade de milhares de brasileiros e brasileiras.
Faturamento do turismo brasileiro bate recorde histórico
Os dados internos reforçam a ideia de que não é apenas o turista estrangeiro que está impulsionando o setor. O turismo doméstico também está forte. De acordo com levantamento da FecomercioSP, com base em dados do IBGE, o turismo nacional faturou R$ 228,1 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica, com crescimento de 5,8% em relação a 2024.
Alguns destaques dentro dessa fotografia:
- O transporte aéreo teve quase R$ 60 bilhões de faturamento, com recorde de 130 milhões de passageiros transportados em 2025;
- A hotelaria registrou alta nas diárias e no RevPar (receita por quarto disponível), sinal de demanda forte ao longo do ano;
- O turismo corporativo também vai bem: viagens de negócios faturaram R$147,8 bilhões em 2025, e tem alta prevista de 7%.
Em São Paulo, um dos motores do turismo corporativo e de eventos, o Índice Mensal de Atividade do Turismo (IMAT) cresceu 3% em janeiro de 2026, o melhor janeiro da série histórica.
Um reflexo direto desse bom momento é a geração de empregos. Dados do Ministério do Trabalho mostram que, em um ano, o turismo criou 86.826 postos de trabalho com carteira assinada, totalizando 2,404 milhões de trabalhadores formais no setor até março de 2026
Ou seja, além de movimentar dinheiro e deslocar pessoas, o turismo está consolidando seu papel como grande empregador no Brasil, especialmente em atividades de serviços que vão desde hotéis e restaurantes até agências de viagem, transportes e atrações turísticas.
Medidas para manter e ampliar esse crescimento
Não é por acaso que esses números estão aparecendo em sequência. Há uma combinação de fatores que ajuda a explicar o bom momento:
- Crédito para o setor: o Fundo Geral do Turismo (Fungetur) anunciou a liberação de R$ 826 milhões em 2026 para financiar empreendedores do turismo com juros menores e prazos mais longos. Isso inclui desde pequenas pousadas até transportadores turísticos e restaurantes;
- Programas de apoio: iniciativas como o “Brasil Mais Crédito Para o Turismo” e programas específicos para microempreendedores de baixa renda (incluindo MEIs no CadÚnico) oferecem crédito facilitado, com juros reduzidos e carência, para modernizar serviços e ampliar negócios;
- Eventos estruturantes: grandes eventos como o Salão do Turismo, realizado em 2026 em Fortaleza, ajudam a promover destinos nacionais, atrair investidores, fortalecer o turismo interno e discutir inclusão, acessibilidade e diversidade no setor;
- Foco em inclusão e diversidade: o Ministério do Turismo tem apostado em pautas como protagonismo feminino no turismo, segurança de mulheres viajantes e inclusão de turistas neurodivergentes, com guias e políticas específicas.
Essas ações indicam que o governo tenta aproveitar o momento positivo não só para bater recordes, mas para estruturar um turismo mais diverso, acessível e sustentável.
O que isso significa para quem viaja e para quem trabalha com turismo
Para quem viaja, esse cenário tende a trazer:
- Mais opções de voos, inclusive para destinos fora do eixo tradicional, com ampliação de rotas internas e conexões com o exterior;
- Mais oferta de hospedagem e serviços turísticos, o que pode, em alguns casos, pressionar os preços para baixo em períodos de menor demanda;
- Melhor infraestrutura turística, à medida que investimentos em hotéis, atrativos e transporte vão sendo viabilizados com crédito e demanda consistente.
Para quem trabalha com turismo, os dados reforçam que:
Profissionalização, qualificação e boas práticas de atendimento tendem a ser diferenciais cada vez maiores num cenário de competição mais intensa. O setor deixou de ser “coadjuvante” e passou a ser uma peça central na economia.
Há espaço para novos negócios, especialmente em destinos emergentes, nichos de turismo de natureza, turismo cultural, turismo de experiência e turismo de negócios
A combinação de calendário favorável de feriados prolongados, retomada econômica, fortalecimento do turismo interno e reposicionamento do Brasil no cenário global cria uma espécie de “janela de oportunidade”.
Se essa tendência se mantiver, o turismo tem tudo para se consolidar não apenas como atividade complementar, mas como um dos pilares da economia brasileira, com impacto direto na vida de quem trabalha, empreende e viaja pelo país.
Para o viajante, é um convite claro: quem anda pelo Brasil hoje encontra um setor mais preparado, mais aquecido e, em muitos casos, mais disposto a inovar. Para o mercado, é um lembrete: o turismo não é só sobre férias e lazer. É sobre desenvolvimento, renda, emprego e construção de futuros inteiros ao redor de um país que, aos poucos, começa a explorar melhor o potencial gigantesco que sempre teve como destino turístico.





